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Ah, a Praça! A praça ainda é do povo ?
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A praça ainda é do povo ?
Modesta Trindade Theodoro *
Até o presente momento estou apenas assuntando o que tem feito o prefeito de Belo Horizonte, considerando que é a primeira vez que exerce um cargo público. Pelo que leio nos jornais, ele tem dado continuidade a alguns projetos antigos e seminovos, cortado outros, negociado com algumas categorias do funcionalismo municipal e deixado outras a ver navios (na educação: Aposentados sem paridade ou não, Auxiliares de Biblioteca, de Escola e de Secretaria estão a zero).
Algo inusitado causou-me espanto em dezembro. Ligo o computador. Com dificuldade leio o Decreto 13.798/2009 publicado em 9/12 no Diário Oficial do Município: "O Prefeito... considerando a dificuldade em limitar o número de pessoas e garantir a segurança,..., DECRETA: Art. 1º - Fica proibida a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação, nesta capital. Art.2º...". Como ?! Quaisquer eventos ? Ainda que pequenos ? Até uma reles manifestação ?
A Praça Rui Barbosa, mais conhecida como Praça da Estação, é um dos mais importantes espaços de manifestação e realização de outros eventos. Depois do que li não me foi possível esquecer uma frase do grande político e jurista brasileiro que deu nome à praça: "Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado". E versos do poeta Castro Alves, em 1864 (como esquecê-lo?!):
"A praça! A praça é do povo Como o céu é do condor É o antro onde a liberdade Cria águias em seu calor! Senhor!... pois quereis a praça? Desgraçada a populaça Só tem a rua de seu..."
As manifestações populares e o "olho do poder" Depois da publicação de várias cartas e artigos em jornais, além do trabalho da Mídia Independente, aconteceram manifestações convocadas pela internet. Dois jornais belo-horizontinos cobriram as manifestações. Biquínis, pranchas, conchas, toalhas, pessoas, sombrinhas entraram (muitas!!!). Conotativo, assim! Um artista fez um barco, mas devido as normas não houve permissão para que ele comparecesse.
Parece que voltamos ao Panóptico que o filósofo francês Michel Foucault tanto criticava.
O povo da capital das Minas Gerais teve a grandeza de ter conquistado espaços e não pode perdê-los em uma canetada. Esperamos que o Decreto 13.798/09 seja refeito pelo representante do povo na PBH e que, algumas vezes, fez da Praça Rui Barbosa seu palanque.
Nenhuma democracia pode escorrer como a tinta da caneta que assina um Decreto.
* Professora aposentada e escritora * Fotos: Arquivo Modesta e J.M. Theodoro
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Reunião do Coletivo da Educação Infantil
8h, 14h e 18h30
Local: Sind-REDE/BH
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